Quebrando fronteiras, o projeto Tudo be ensaio foi cumprido, dessa vez, em Madrid. Não paguei a passagem com o dinheiro adquirido nas outras edições. Mas paguei o violão que lá comprei e que agora percorrerá algumas estações de Estocolmo.
Não foi bem uma apresentação. Meu objetivo era ganhar a primeira moeda. Já era tarde. Viajava no dia seguinte, de manhã, tendo que acordar às 4h30. Arquitetei uma apresentação mais longa, na estação de metrô de onde saem os trens. Ensaiei até uma mudança na letra, substituindo Jaçanã por Nuevo Mundo.
Acabei tocando na estação mais perto de casa, por cerca de 15 minutos. Não poder ficar muito tempo deu até algum sentido para a música escolhida. Um jeito de me despedir de Madrid.
Trem das onze
Não posso ficar
No puedo quedar
Nem mais um minuto com você
Ni más un minuto con usted
Sinto muito amor
Yo lo siento amor
Mas não pode ser
Pero no puede ser
Vivo em Jaçanã
Vivo en Nuevo Mundo
Se eu perder este tem
Se se va este tren
Que sai agora as onze horas
Que parte ahora a las once
Só amanhã de manhã
Solo mañana a la mañana
E além disso amor
Y además mujer
Tem outras coisas
Hay otras cosas
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar
Mi mamá no duerme mientras yo no llege
Sou filho único
Soy hijo único
Tenho minha casa pra cuidar
Tengo mi casita para guardar
Saldo do dia: 0,50 euros. A primeira moeda. Uma senhora, com um senhor, me deram a moeda por pena, que até eu sentia. Sentado no chão, tocando uma música que mal acabara de aprender, com um espanhol capenga. Mas era preciso inaugurar o violão no lugar que o encontrei.
tudo be ensaio [test tube]
sexta-feira, 13 de abril de 2012
sexta-feira, 30 de março de 2012
Sundbyberg Centrum - Retrato do fim
A princípio, minha vontade era escolher uma estação e lançar o seguinte argumento: algum casal deve ter tido uma "DR" braba aqui algum dia. Isto justificaria música da vez. Foi um pouco isso o que fiz. Mas a estação escolhida colaborou com minha imposição arbitrária. Numa das paredes da Sundbyberg Centrum está esculpida uma orelha gigante (vide foto no pano de fundo). De frente para essa parede, há outra onde está esculpida uma boca. Entre elas há um círculo no chão. Sentei no centro, virado para a orelha, claro.
Deu certo. Tocando numa estação pouco frequentada a música ainda menos conhecida que as outras, bati o recorde de dinheiro provido pelo público passante. Faz sentido. Cravo que esta foi minha melhor tradução. E também o dia que toquei melhor. Tiveram momentos impressionantes. Quando do intervalo dos trens e quando a escada rolante parava automaticamente, por falta usuários. Silêncio no metrô. Aí eu podia tocar baixinho, que dava para ouvir. E se subisse o som dava para entender a força da música como nunca.
Retrato do fim
Não, eu não quero mais sofrer
No, I don´t want to feel more pain
Não vou mais amar em vão
I don´t want this kind of love
Prefiro a solidão
It is better be distrust
Que os costumes com você
That retry with you again
Foi, brincadeira de ninguém
I cannot play this kind of games
Desperdício de calor
It is such a waste of force
Foi pecado de quem tem
It is a sin that can distorce
Alegria e pavor
All the fears, all the aims
É, acho que compreendi
How can the world be like this?
Que o esforço pra amar
All the efforts applied to love
É o medo de sofrer
Can be just a cowardice
Você, esqueceu o que devia
Caus´you had fogot what you should
Retratou como queria
Realizing but the unreal
E não quis pagar pra ver
You dismissed our truth
Eu, compromisso leviano
Me, here engaged, there so free
Esquecendo dos meus planos
Overpassing my old dreams
Abandonado em você
Like a homeless that you feeds
Saldo do dia: 89 coroas suecas, o que dá mais o menos 22 reais. Um maluco da Romênia veio falar comigo, dizer que o som era muito bom, perguntar de onde era a música, mostrar habilidades restritas no violão e dizer que a vida na Suécia (para clandestinos) ainda está viável, diferente de boa parte da Europa. Um rapaz me deu uma moeda pedindo desculpa por não dar mais, só tinha aquela. Acho que alguém tirou foto. Eu estava de costas. Vi de relance. Ou filmou, sei lá. Ou só estavam parados por algum outro motivo e eu imaginei coisas.
Deu certo. Tocando numa estação pouco frequentada a música ainda menos conhecida que as outras, bati o recorde de dinheiro provido pelo público passante. Faz sentido. Cravo que esta foi minha melhor tradução. E também o dia que toquei melhor. Tiveram momentos impressionantes. Quando do intervalo dos trens e quando a escada rolante parava automaticamente, por falta usuários. Silêncio no metrô. Aí eu podia tocar baixinho, que dava para ouvir. E se subisse o som dava para entender a força da música como nunca.
Retrato do fim
Não, eu não quero mais sofrer
No, I don´t want to feel more pain
Não vou mais amar em vão
I don´t want this kind of love
Prefiro a solidão
It is better be distrust
Que os costumes com você
That retry with you again
Foi, brincadeira de ninguém
I cannot play this kind of games
Desperdício de calor
It is such a waste of force
Foi pecado de quem tem
It is a sin that can distorce
Alegria e pavor
All the fears, all the aims
É, acho que compreendi
How can the world be like this?
Que o esforço pra amar
All the efforts applied to love
É o medo de sofrer
Can be just a cowardice
Você, esqueceu o que devia
Caus´you had fogot what you should
Retratou como queria
Realizing but the unreal
E não quis pagar pra ver
You dismissed our truth
Eu, compromisso leviano
Me, here engaged, there so free
Esquecendo dos meus planos
Overpassing my old dreams
Abandonado em você
Like a homeless that you feeds
Saldo do dia: 89 coroas suecas, o que dá mais o menos 22 reais. Um maluco da Romênia veio falar comigo, dizer que o som era muito bom, perguntar de onde era a música, mostrar habilidades restritas no violão e dizer que a vida na Suécia (para clandestinos) ainda está viável, diferente de boa parte da Europa. Um rapaz me deu uma moeda pedindo desculpa por não dar mais, só tinha aquela. Acho que alguém tirou foto. Eu estava de costas. Vi de relance. Ou filmou, sei lá. Ou só estavam parados por algum outro motivo e eu imaginei coisas.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Fridhesmplan - Quem vem pra beira do mar
E o projeto "Tudo be ensaio" continua lindo. A estação da vez foi Fridhesmplan. Não sei exatamente o tema, nem por que. Tem a ver com mar, vide o cenário escolhido. O que explica a canção, há tempos admirada por mim. A foto que tirei vai de pano de fundo.
Repertório:
Quem vem bem pra beira do mar
Quem vem pra beira do mar, ai
Who gets to close to the see, oh
Nunca mais quer voltar, ai
Just forgets everything, oh
Andei, por andar, andei
Away, I´ve walked away
E todo caminho deu no mar
And all times I reached the see
Andei, pelo mar, andei
Away, I´ve walked away
Nas águas de dona Janaina
True Janaina´s waters believe me
A onda do mar leva
It is always the see taking
A onda do mar traz
It is always the see giving
Quem vem pra beira da praia meu bem
Anyone that cames to live at the beach
Não volta nunca mais
Can never be complaning
Saldo do dia: 34 coroas suecas. O que dá mais ou menos 4 reais. Uma mulher voltou da plataforma para me dar 20 coroas (5 reais). Um senhor parou pra ouvir. Olhei para ele, analisei seu estilo e pensei: "Esse foi marinheiro! Parou e está se emocionando com música". Veio até mim para dar umas moedas e dizer, com alguma raiva, que eu era um bom músico e merecia lugar melhor que aquele; que ali era muito barulhento (de fato, um lugar que chega e sai trens de metrô a cada 30 segundos ou menos). Agradeci e responde que ali era um começo. Se fosse o caso galgaria melhores lugares depois.
Agora, um relato à parte...
Repertório:
Quem vem bem pra beira do mar
Quem vem pra beira do mar, ai
Who gets to close to the see, oh
Nunca mais quer voltar, ai
Just forgets everything, oh
Andei, por andar, andei
Away, I´ve walked away
E todo caminho deu no mar
And all times I reached the see
Andei, pelo mar, andei
Away, I´ve walked away
Nas águas de dona Janaina
True Janaina´s waters believe me
A onda do mar leva
It is always the see taking
A onda do mar traz
It is always the see giving
Quem vem pra beira da praia meu bem
Anyone that cames to live at the beach
Não volta nunca mais
Can never be complaning
Saldo do dia: 34 coroas suecas. O que dá mais ou menos 4 reais. Uma mulher voltou da plataforma para me dar 20 coroas (5 reais). Um senhor parou pra ouvir. Olhei para ele, analisei seu estilo e pensei: "Esse foi marinheiro! Parou e está se emocionando com música". Veio até mim para dar umas moedas e dizer, com alguma raiva, que eu era um bom músico e merecia lugar melhor que aquele; que ali era muito barulhento (de fato, um lugar que chega e sai trens de metrô a cada 30 segundos ou menos). Agradeci e responde que ali era um começo. Se fosse o caso galgaria melhores lugares depois.
Agora, um relato à parte...
Estava tocando no metrô havia uns 10 minutos. Nenhuma moeda no case. Sequer alguém me reparando. Até que uma criança, talvez pré-adolescente, mais pra criança (talvez 8 anos), passa por mim, repara e sorri como quem estava curtindo. Legal, pensei. As crianças são legais. Por causa delas continuo aqui, nesse frio, local barulhento, tocando uma canção que preparei com algum carinho. De repente volta o menino, com duas notas de 20 coroas, o que daria mais ou menos dez reais. Sorri pra ele, agradecendo, ele sorriu. Foi colocar as notas no case. Quase colocou. Mas não colocou. Estava de gracinha. Voltou sorrindo do mesmo jeito que chegou. "Filho da puta", falei comigo mesmo, rindo um pouco. Pois, no fundo admirei seu gesto; e senti-me reconhecido como nunca. Também tem algo de gracinha no meu gesto de tocar no metrô de case aberto, pedindo dinheiro.
Acho difícil alguém superar esse garoto.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Näckrosen - Lisbela
Em alguma parte do Memorial de Aires, o protagonista diz que algumas pessoas só encontram seu local de nascimento muitos anos depois nascidas. Falava sobre uma personagem que viajara à Europa e se sentira em casa como nunca. "Tenho vontade de morar no Brasil", disse-me um sueco, conhecido de um conhecido. "- Porque?". "- Por causa do filme Tropa de Elite, tem algo nele que me fascina, tem fibra, força, vida".
Cinema é assunto da estação de metrô Näckrosen. A linha azul, mais subterrânea de todas, precisou de alguma graça para disfarçar sua profundidade e obscuridade. Então as estações ganharam temas. Näckrosen homenageia o cinema porque logo na sua saída está o Filmstaden, uma espécie de vila que na década de 60 funcionou como local de maior produção cinematográfica de Estocolmo. Hoje é um cinema comum, mas ainda funciona como ponto turístico.
Agora nasce o projeto Tudo be ensaio. Gestação maior do que a normal, o previsto era três semanas atrás. Por isso nasceu quase morrendo. Ou quase não nasceu. Ei-lô: percorrer algumas estações da linha azul tocando músicas que se adequam ao tema de cada uma. Lisbela foi a música da vez. A tradução ainda está se ajeitando, mas o cerne está aí.
Saldo do dia: 10 coroas suecas, o que dá mais ou menos R$ 2,50. Uma senhora parou e olhou com uma cara de pena, com um tanto de tristeza. Tirou umas moedas e jogou no case. Quase na mesma hora, um homem, que de longe prestava atenção na música, veio na minha direção como quem queria falar alguma coisa. Parei de tocar um pouco, ele disse algo em sueco. Eu disse: "- In english?". Ele me perguntou se eu estava tocando minhas próprias canções. Disse que era tradução de música brasileira para o inglês. Adiantando-se para pegar o metrô, que quase fechava a porta, disse: "It is very, very good!". Ajudou um tanto o projeto a nascer bem.
Lisbela
Eu quero a cena de um artista de cinema
I wanna be the actor on the widescreen
Eu quero a cena onde eu possa brilhar
I wanna place, somewhere I can shine
Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo
The brightest shine is my wish, I want a kiss
Um beijo imenso onde eu possa me afogar
The longest kiss that someone can remind
Eu quero ser o matador das cinco estrelas
I wanna be the fastest draw in the wild west
Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão
The best fighter, to beat Bruce Lee
A patativa do norte, eu quero a sorte
I´m on my way to the north, I want the fate
Eu quero a sorte de um chofer de caminhão
I want the fato of being always looking foward
Pra me danar
To get away
Por essa estrada mundo afora ir embora
Around the world, I wanna get all the roads
Sem sair do meu lugar
Without leaving my old place
Ser o primeiro, ser o rei eu, quero um sonho
To be the first, the king, i want a dream
Moça donzela, mulher dama ilusão
Young lady, prety woman, in my mind
Na minha vida tudo vira brincadeira
Caus´in my life everyone starts to play
A matina é verdadeira, domingo e televisão
And there´s no way we can get a boring time
Eu quero um beijo de cinema americano
I wanna a date on monday with Sharon Stone
Fechar os olhos fugir do perigo
To close my eyes run away from bad guys
Matar bandido, prender ladrão
I wanna kill and arrest thieves
A minha vida vai virar novela
Couse only like this someone is going to tell her
Eu quero amor, eu quero amar, eu quero amor de Lisbela
I wanna love and to discover al the misteries of Lisbela
Eu quero o mar e o sertão
I want the land, I want the sea
Cinema é assunto da estação de metrô Näckrosen. A linha azul, mais subterrânea de todas, precisou de alguma graça para disfarçar sua profundidade e obscuridade. Então as estações ganharam temas. Näckrosen homenageia o cinema porque logo na sua saída está o Filmstaden, uma espécie de vila que na década de 60 funcionou como local de maior produção cinematográfica de Estocolmo. Hoje é um cinema comum, mas ainda funciona como ponto turístico.
Agora nasce o projeto Tudo be ensaio. Gestação maior do que a normal, o previsto era três semanas atrás. Por isso nasceu quase morrendo. Ou quase não nasceu. Ei-lô: percorrer algumas estações da linha azul tocando músicas que se adequam ao tema de cada uma. Lisbela foi a música da vez. A tradução ainda está se ajeitando, mas o cerne está aí.
Saldo do dia: 10 coroas suecas, o que dá mais ou menos R$ 2,50. Uma senhora parou e olhou com uma cara de pena, com um tanto de tristeza. Tirou umas moedas e jogou no case. Quase na mesma hora, um homem, que de longe prestava atenção na música, veio na minha direção como quem queria falar alguma coisa. Parei de tocar um pouco, ele disse algo em sueco. Eu disse: "- In english?". Ele me perguntou se eu estava tocando minhas próprias canções. Disse que era tradução de música brasileira para o inglês. Adiantando-se para pegar o metrô, que quase fechava a porta, disse: "It is very, very good!". Ajudou um tanto o projeto a nascer bem.
Lisbela
Eu quero a cena de um artista de cinema
I wanna be the actor on the widescreen
Eu quero a cena onde eu possa brilhar
I wanna place, somewhere I can shine
Um brilho intenso, um desejo, eu quero um beijo
The brightest shine is my wish, I want a kiss
Um beijo imenso onde eu possa me afogar
The longest kiss that someone can remind
Eu quero ser o matador das cinco estrelas
I wanna be the fastest draw in the wild west
Eu quero ser o Bruce Lee do Maranhão
The best fighter, to beat Bruce Lee
A patativa do norte, eu quero a sorte
I´m on my way to the north, I want the fate
Eu quero a sorte de um chofer de caminhão
I want the fato of being always looking foward
Pra me danar
To get away
Por essa estrada mundo afora ir embora
Around the world, I wanna get all the roads
Sem sair do meu lugar
Without leaving my old place
Ser o primeiro, ser o rei eu, quero um sonho
To be the first, the king, i want a dream
Moça donzela, mulher dama ilusão
Young lady, prety woman, in my mind
Na minha vida tudo vira brincadeira
Caus´in my life everyone starts to play
A matina é verdadeira, domingo e televisão
And there´s no way we can get a boring time
Eu quero um beijo de cinema americano
I wanna a date on monday with Sharon Stone
Fechar os olhos fugir do perigo
To close my eyes run away from bad guys
Matar bandido, prender ladrão
I wanna kill and arrest thieves
A minha vida vai virar novela
Couse only like this someone is going to tell her
Eu quero amor, eu quero amar, eu quero amor de Lisbela
I wanna love and to discover al the misteries of Lisbela
Eu quero o mar e o sertão
I want the land, I want the sea
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
T-Centralen - Eu quero é botar meu bloco na rua
Se no carnaval passado, dei-me o direito de almoçar na Cobal do Humaitá vestido de Sharon Stone, neste autorizei-me a levar um banquinho daqui de casa para a T-Centralen, burlando a regra do projeto de permanecer na estação Näckrosen até angariar dinheiro para comprar um assento.
É carnaval. Chance única pra enfrentar a multidão. Música tema: Eu quero é botar meu bloco na rua. Com ajuda do Felipe Moreira, a letra foi passada para o inglês, na medida do possível. A expectativa era grande. Junto com ela, o medo do grande público.
Dessa vez não tem foto. Até cogitei fazer um video. Mas quando ameacei um intervalo, depois de tocar 40 minutos ininterruptamente a mesma canção (é carnaval), violão definado por causa do frio e voz um pouco rouca, dois policiais vieram me explicar que não é permitido tocar ali. Naquele local só poderia ser exposto e vendido material impresso, disse-me um deles, apontando para as moças que entregavam ou vendiam alguma coisa ali perto. Eu disse: - Ok. Nem pediram documento. Fosse o caso explicaria que estou estudando filosofia em Estocolmo, que também sou polícia, só que metafísica. Que isso é só uma fantasia de carnaval. Mas, tudo bem. Polícia mesmo, seja ela física ou metafísica, não pode transigir com qualquer tipo de fantasia.
Pelo que entendi, não se tratava de um embargo do projeto Tudo be ensaio [test tube] como um todo, mas apenas desta edição especial de carnaval. De fato, realizada num local que atrapalhava, vagamente, a circulação de pessoas. De fato, era preciso parar para afinar o instrumento e recuperar um pouco a voz, dizia minha polícia interior. Embora conseguisse continuar por mais uma hora nas mesmas condições. Era carnaval.
Acontece que agora tenho um banquinho. Comprei esse mesmo por dez reais (barato, sei, mas, convenhamos, é usado). Agora posso circular pelas demais estações. O propósito principal do projeto nem é enfrentar multidões. Semana que vem explico porque esta é ainda a sua fase de gestação.
Saldo do dia: 54 coroas suecas. O que dá mais ou menos R$ 16,20. Destaque para o homem carregando dois violões que se desdobrou para me dar 20 coroas. Também o menino feliz da vida jogando uma moeda no case.
Repertório
Eu quero é botar meu bloco na rua (Sérgio Sampaio)
Há quem diga que eu dormi de toca
One can say that I´ve lost my touch
Que eu perdi a boca
That I´ve said to much
Que eu fugi da briga
That I´ve runned away
Que eu caí do galho
That I´m falling from the stairs
E que não vi saída
And cant´t see the way
Que morri de medo quando o pau quebrou
That I was quite afread when the time had come
Há quem diga que eu não sou de nada
One can say that I´m nothing
Que eu não sei de nada
That I know nothing
E não peço desculpas
That I cant feel sorow
Que eu não tenho culpa
That it is not my foult
Mas que eu dei bobeira
But I should had thought
Que Durango Kid quase me pegou!
That Durango Kid almost got my soul!
Eu quero é botar
(I) just wanna get out
Meu bloco na rua
And go to the streets
Gingar
Play loud
Botar pra gemer
As loud I can be
Eu por mim
By myself
Queria isso e aquilo
I want this and that
Um grilo menos disso
Maybe less of this
Um quilo mais daquilo
One more piece of that
É disso que eu preciso
That´s what I´m needing
Não é nada disso
No, it is not about this
Eu quero é todo mundo nesse carnaval
I just want everybody at this carnival
Eu quero é botar
(I) just wanna get out
Meu bloco na rua
And go to the streets
Gingar
Play loud
Botar pra gemer
As loud I can be
É carnaval. Chance única pra enfrentar a multidão. Música tema: Eu quero é botar meu bloco na rua. Com ajuda do Felipe Moreira, a letra foi passada para o inglês, na medida do possível. A expectativa era grande. Junto com ela, o medo do grande público.
Dessa vez não tem foto. Até cogitei fazer um video. Mas quando ameacei um intervalo, depois de tocar 40 minutos ininterruptamente a mesma canção (é carnaval), violão definado por causa do frio e voz um pouco rouca, dois policiais vieram me explicar que não é permitido tocar ali. Naquele local só poderia ser exposto e vendido material impresso, disse-me um deles, apontando para as moças que entregavam ou vendiam alguma coisa ali perto. Eu disse: - Ok. Nem pediram documento. Fosse o caso explicaria que estou estudando filosofia em Estocolmo, que também sou polícia, só que metafísica. Que isso é só uma fantasia de carnaval. Mas, tudo bem. Polícia mesmo, seja ela física ou metafísica, não pode transigir com qualquer tipo de fantasia.
Pelo que entendi, não se tratava de um embargo do projeto Tudo be ensaio [test tube] como um todo, mas apenas desta edição especial de carnaval. De fato, realizada num local que atrapalhava, vagamente, a circulação de pessoas. De fato, era preciso parar para afinar o instrumento e recuperar um pouco a voz, dizia minha polícia interior. Embora conseguisse continuar por mais uma hora nas mesmas condições. Era carnaval.
Acontece que agora tenho um banquinho. Comprei esse mesmo por dez reais (barato, sei, mas, convenhamos, é usado). Agora posso circular pelas demais estações. O propósito principal do projeto nem é enfrentar multidões. Semana que vem explico porque esta é ainda a sua fase de gestação.
Saldo do dia: 54 coroas suecas. O que dá mais ou menos R$ 16,20. Destaque para o homem carregando dois violões que se desdobrou para me dar 20 coroas. Também o menino feliz da vida jogando uma moeda no case.
Repertório
Eu quero é botar meu bloco na rua (Sérgio Sampaio)
Há quem diga que eu dormi de toca
One can say that I´ve lost my touch
Que eu perdi a boca
That I´ve said to much
Que eu fugi da briga
That I´ve runned away
Que eu caí do galho
That I´m falling from the stairs
E que não vi saída
And cant´t see the way
Que morri de medo quando o pau quebrou
That I was quite afread when the time had come
Há quem diga que eu não sou de nada
One can say that I´m nothing
Que eu não sei de nada
That I know nothing
E não peço desculpas
That I cant feel sorow
Que eu não tenho culpa
That it is not my foult
Mas que eu dei bobeira
But I should had thought
Que Durango Kid quase me pegou!
That Durango Kid almost got my soul!
Eu quero é botar
(I) just wanna get out
Meu bloco na rua
And go to the streets
Gingar
Play loud
Botar pra gemer
As loud I can be
Eu por mim
By myself
Queria isso e aquilo
I want this and that
Um grilo menos disso
Maybe less of this
Um quilo mais daquilo
One more piece of that
É disso que eu preciso
That´s what I´m needing
Não é nada disso
No, it is not about this
Eu quero é todo mundo nesse carnaval
I just want everybody at this carnival
Eu quero é botar
(I) just wanna get out
Meu bloco na rua
And go to the streets
Gingar
Play loud
Botar pra gemer
As loud I can be
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Näckrosen - finding translations
Enquanto estava inerte, o projeto cresceu, qual massa de pão. Depois de escolher a música tema dessa semana e fazer uso do inglês com mais frequência, um belo dia a primeira frase da letra saiu em inglês. A segunda também. Aí foi só retocar e pensar em soluções nas partes mais complicadas. É claro que existem trechos intraduzíveis, erros de inglês e soluções arbitrárias. Mas isso é o que me deixa mais tranquilo. Sinto-me, enfim, de igual para igual com os transeuntes. Pois se o que eles me dão é uma pequena parte sua riqueza financeira sueca, "um cheiro", embora achem estão dando muito ou o suficiente - dou de volta uma pequena parte da riqueza musical brasileira, "um cheiro", também achando que é muito ou o suficiente.
O repertório e o saldo do dia. Uma foto menos embaçada que a anterior. Claro, a letra traduzida para o inglês.
15 de fevereiro - Näckrosen
1. O outro (The other)
Eu não sou eu
I´m not myself
Nem sou o outro
Nor the other
Sou qualquer coisa de intermédio
I´m something else at the border
Pilar da ponte de tédio
Wich lies in a boring order
Que vai de mim para o outro
That goes from me to the other
2. Berimbau
3. The other
4. Carinhoso
5.The other
6. Congênito
7. The other
Saldo do dia: um homem que parou para ouvir. Crianças sempre olham. E claro, 6 coroas suecas, o que dá 1,80 reais, mais ou menos.
O repertório e o saldo do dia. Uma foto menos embaçada que a anterior. Claro, a letra traduzida para o inglês.
15 de fevereiro - Näckrosen
1. O outro (The other)
Eu não sou eu
I´m not myself
Nem sou o outro
Nor the other
Sou qualquer coisa de intermédio
I´m something else at the border
Pilar da ponte de tédio
Wich lies in a boring order
Que vai de mim para o outro
That goes from me to the other
2. Berimbau
3. The other
4. Carinhoso
5.The other
6. Congênito
7. The other
Saldo do dia: um homem que parou para ouvir. Crianças sempre olham. E claro, 6 coroas suecas, o que dá 1,80 reais, mais ou menos.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
O inferno são os outros
Acho interessante o discurso "não toco para os outros, toco para mim. Se os outros gostam do que eu gosto, bom, se não, paciência". Em geral, incorporo esse lema. Até porque meu gosto não é tão diferente do gosto das pessoas com quem costumo andar.
Mas eu não ando com as pessoas que transitam na estação de metrô aqui de Estocolmo. Aceito o argumento de que faço neste o lugar justo o que faria em casa, sem incomodar os vizinhos. Incomodo agora os transeuntes, mas ainda tocando para mim mesmo. O que a princípio é mais tranquilo, pois não cruzarei com eles na escada do meu prédio. Mas as minhas costas disseram o contrário.
Principalmente durante a noite tenho compreendido, dis costa (diria "Seu Buneco"), a frase de Sartre: o inferno são os outros. Depois de tocar terça passada no metrô tive três ou quatro noites mal dormidas por conta de uma dor considerável nas costas. À parte as caminhadas de mochila um tanto pesada, juro que a dor começou a melhorar significativamente quando aceitei que a parcela maior de sua causa veio da prática do projeto Tubo de ensaio. Começou aquela noite, quase que repentinamente.
Reforça meu argumento outra experiência, também com música. Era uma prova para estudar violão clássico: toquei duas ou três peças para três professores, durante pouco menos de dez minutos. Durante alguns dias meu joelho esquerdo, sobre o qual apoiei o violão, doeu como se eu tivesse jogado a partida do século.
Tudo isso pra pra justificar a música tema da próxima quarta-feira. O outro. Poema de Mário de Sá-Carneiro musicado por Adriana Calcanhotto.
O outro
Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o outro.
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o outro.
Assinar:
Comentários (Atom)