A princípio, minha vontade era escolher uma estação e lançar o seguinte argumento: algum casal deve ter tido uma "DR" braba aqui algum dia. Isto justificaria música da vez. Foi um pouco isso o que fiz. Mas a estação escolhida colaborou com minha imposição arbitrária. Numa das paredes da Sundbyberg Centrum está esculpida uma orelha gigante (vide foto no pano de fundo). De frente para essa parede, há outra onde está esculpida uma boca. Entre elas há um círculo no chão. Sentei no centro, virado para a orelha, claro.
Deu certo. Tocando numa estação pouco frequentada a música ainda menos conhecida que as outras, bati o recorde de dinheiro provido pelo público passante. Faz sentido. Cravo que esta foi minha melhor tradução. E também o dia que toquei melhor. Tiveram momentos impressionantes. Quando do intervalo dos trens e quando a escada rolante parava automaticamente, por falta usuários. Silêncio no metrô. Aí eu podia tocar baixinho, que dava para ouvir. E se subisse o som dava para entender a força da música como nunca.
Retrato do fim
Não, eu não quero mais sofrer
No, I don´t want to feel more pain
Não vou mais amar em vão
I don´t want this kind of love
Prefiro a solidão
It is better be distrust
Que os costumes com você
That retry with you again
Foi, brincadeira de ninguém
I cannot play this kind of games
Desperdício de calor
It is such a waste of force
Foi pecado de quem tem
It is a sin that can distorce
Alegria e pavor
All the fears, all the aims
É, acho que compreendi
How can the world be like this?
Que o esforço pra amar
All the efforts applied to love
É o medo de sofrer
Can be just a cowardice
Você, esqueceu o que devia
Caus´you had fogot what you should
Retratou como queria
Realizing but the unreal
E não quis pagar pra ver
You dismissed our truth
Eu, compromisso leviano
Me, here engaged, there so free
Esquecendo dos meus planos
Overpassing my old dreams
Abandonado em você
Like a homeless that you feeds
Saldo do dia: 89 coroas suecas, o que dá mais o menos 22 reais. Um maluco da Romênia veio falar comigo, dizer que o som era muito bom, perguntar de onde era a música, mostrar habilidades restritas no violão e dizer que a vida na Suécia (para clandestinos) ainda está viável, diferente de boa parte da Europa. Um rapaz me deu uma moeda pedindo desculpa por não dar mais, só tinha aquela. Acho que alguém tirou foto. Eu estava de costas. Vi de relance. Ou filmou, sei lá. Ou só estavam parados por algum outro motivo e eu imaginei coisas.
Até que enfim uma música que veio do fundo peito!!
ResponderExcluirExperimenta flor do dia, uma sobra qualquer, a do futebol!!
abração!!
Até tentei Uma sobra qualquer, mas nao rolou. Flor do dia, nem pensei. E tem outra do futebol na lista já, do Chico Buarque.
ResponderExcluirMas Retrato do fim fez sucesso, Vitor... Vai preparando o baixolao dela aí que esse ano é pra levantar o caneco no RH da Petrobrás.
Abraco!